Categoria: Benfica

  • Vertonghen não esquece saída e visa direção do Benfica: “Jamais…”

    Vertonghen não esquece saída e visa direção do Benfica: “Jamais…”

    Jan Vertonghen colocou um ponto final na carreira no verão de 2025, mas a forma como aconteceu ficou muito longe da que tinha idealizado. E tudo isso por culpa do Benfica, segundo explica o próprio antigo jogador belga, em entrevista ao jornal Het Laatste Nieuws, publicada na tarde de quarta-feira. Vertonghen confessou que saiu da Luz da “pior maneira”, no verão de 2022, dizendo ter o desejo de cumprir o contrato até ao fim (2023) e que a sua família era muito feliz em Lisboa.

    “Teve, sim, a ver com a forma muito feia como a minha saída do Benfica aconteceu. Percebo perfeitamente o lado empresarial dessa decisão, mas, se fosse dirigente de um clube, jamais teria gerido a situação dessa maneira. Só no último dia do mercado de transferências é que me disseram que já não iria jogar”, começou por revelar Vertonghen. 

    “Entretanto, a minha mulher, que trabalhava em Portugal, e eu partíamos do princípio de que iríamos continuar a viver em Lisboa. Depois surgiu a proposta do Anderlecht. A minha mulher disse apenas: ‘Toma tu a decisão’. E, no fim, tomei uma decisão a pensar na minha carreira. Foi uma decisão muito difícil, porque senti que estava a tirar a minha mulher e os meus filhos de um lugar onde eram realmente felizes”, lamentou. 

    Vertonghen ainda guarda, num quadro, a camisola com a qual foi apresentado no Benfica, no verão de 2020, ao lado de Everton Cebolinha e Lucas Waldschmidt, e não esconde a amargura de ver o número 2023 na parte traseira. 

    “Até estranho ver ali a data de 2023. Mas a verdade é que tinha assinado contrato até 2023. O meu objetivo era cumprir esse vínculo, tentar, se possível, prolongá-lo por mais uma época e, depois, eventualmente terminar a carreira após o Euro2024. Nessa altura, nós, enquanto família, poderíamos decidir se queríamos continuar a viver em Lisboa ou estabelecer-nos noutro lugar”, frisou. 

    O antigo internacional belga recordou, então, o momento em que chegou a acordo com o Anderlecht, lembrando também que não acedeu a algumas das exigências feitas pelo clube belga à altura dos factos. 

    “Lembro-me de que, depois de ter chegado a acordo com Anderlecht, era suposto viajar para a Bélgica logo na manhã seguinte para realizar os exames médicos. Mas simplesmente disse: ‘Desculpem,  mas isso não vai acontecer’. Os meus filhos ainda estavam num campo de surf, perto de Lisboa, e eu não conseguia ir embora sem me despedir deles”, confidenciou, revelando, ainda, que as “primeiras semanas no Anderlecht foram as mais difíceis” de toda a sua carreira. 

    “Fui até lá para lhes dar a notícia pessoalmente. Acho que esse sentimento só desapareceu depois do Mundial de 2022, no Qatar, porque foi aí que percebi que os meus filhos e a minha mulher – que encontrou trabalho em Antuérpia pouco tempo depois – também eram felizes na Bélgica”, contou. 

    Comentador? Só em part time 

    Concluído o primeiro ano pós-futebol, o antigo jogador do Benfica, clube pelo qual ainda fez 89 jogos, tem-se dedicado à Fundação que criou em nome próprio (Fundação Jan Vertonghen) para ajudar crianças com necessidades especiais, mas mantendo-se atento à modalidade que tão bem conhece. No Mundial2026 desempenhou, inclusive, o papel de comentador, sendo esta uma experiência do seu agrado, mas não de forma recorrente. 

    “De vez em quando, fazer uma análise na televisão, como aconteceu durante o Mundial, é algo de que gosto. Mas também não quero exagerar. Atenção, não tenho nada contra os antigos futebolistas que aparecem muito mais vezes na televisão. Cada um tem de encontrar o seu próprio caminho. Eu estou satisfeito por ter encontrado rapidamente o meu rumo, com a minha família, os estudos e a Fundação”, rematou o antigo defesa central belga, que aproveitou as férias de verão para ‘matar’ saudades de Portugal.