As eleições para a presidência da FIFA estão agendadas para o próximo dia 18 de março de 2027, e prometem ser mais imprevisíveis do que nunca, por conta da maneira como a (fracassada) proposta da FIFA Forward Enterprise (FFE), subsidiária que teria como objetivo gerir os direitos comerciais de provas como o Campeonato do Mundo junto de investidores privados, dividiu por completo o futebol internacional.
Para já, Gianni Infantino surge como o único candidato assumido ao cargo. Há menos de um mês, tinha em sua posse mais de 200 cartas de apoio por parte das 210 federações-membro com direito de voto (a do Nepal seria a 211.ª, mas está suspensa, por interferência governamental) e tudo apontava para que concorresse sem oposição. Algo que, no entanto, se afigura, agora, como, no mínimo, improvável.
O prazo para a apresentação de outras candidaturas termina a 18 de novembro, e, se fosse hoje e o advogado ítalo-suíço tivesse pela frente um opositor único… ‘cairia’, visto que, de acordo com as contas feitas pela estação televisiva britânica BBC Sport, contaria, pelo menos, com 124 votos contra, num sufrágio que, tal como mandam os regulamentos, será decidido com maioria simples.
Destes 124 votos desfavoráveis, só 16 podem ser dado como certos, visto que partem das Federações de Futebol de Inglaterra, País de Gales, Escócia, Alemanha, Países Baixos, Grécia, Albânia, Sérvia, Roménia, Croácia, Suécia, Noruega, Finlândia, Suíça, República Checa e Jordânia, que já tornaram pública a intenção de voltar atrás no apoio declarado ao atual líder máximo do organismo.
As restantes 108 ‘negas’ são dadas como presumíveis, por conta das posições públicas tomadas pelas confederações a que pertencem. Mais concretamente, da UEFA (onde se enquadra, por exemplo, Portugal, que ainda não esclareceu ao certo se irá votar contra ou a favor da reeleição de Gianni Infantino), da CONCACAF e da AFC.
No entanto, nunca podem ser descartados casos de ‘dissidência’, como aquele que diz respeito, por exemplo, à Federação Mexicana de Futebol (FMF), que deixou claro que mantém intacta a confiança em Gianni Infantino, pese embora a CONCACAF, confederação na qual está filiada, lhe tenha virado as costas e, inclusive, ameaçado com um boicote ao Campeonato do Mundo de 2030.
Infantino tem América do Sul e África do seu lado
Gianni Infantino mantém, assim, bem vivas as esperanças de vir a ser reconduzido na presidência da FIFA, até porque a CONMEBOL e a CAF já lhe declararam apoio. Individualmente, países como Argentina, Marrocos, Egito, República Democrática do Congo, Libéria ou Indonésia já garantiram mesmo que, apesar das suspeições, pretendem depositar votos em seu nome.
Feitas as contas, o atual líder máximo do organismo que rege o futebol planetário conta com 19 votos favoráveis garantidos e outros 54 presumíveis, ou seja, no melhor dos cenários, 73 ‘sins’. O cenário não é, de todo, o mais favorável, mas nada está perdido, tendo em conta uma série de circunstâncias que é preciso considerar.
Por um lado, há 13 federações-membro que ainda não decidiram qual será o respetivo sentido de voto, a grande maioria filiadas na OFC (a Confederação de Futebol da Oceânia, que contempla 11 nações), que fez saber a esta mesma publicação que irá reunir-se, na próxima quinta-feira, para tomar uma decisão final, que será, de seguida, devidamente comunicada.
A Arábia Saudita, que irá organizar o Mundial de 2034, representa por si só um caso extraordinário, visto que terá eleições para a presidência ainda no presente mês de agosto, e só depois esclarecerá o que pretende fazer ao certo, sendo que esta decisão poderá vir, inclusive, a influenciar o caminho que algumas das federações ‘vizinhas’ irá seguir, daí em diante.
Além disso, pese embora nomes como o de Nasser Al-Khelaifi, Victor Montagliani ou Shaikh Salman bin Ebrahim Al Khalifa estejam a ser cogitados para fazer frente a Gianni Infantino, nada garante que não surja um terceiro candidato, o que originaria uma dispersão de votos e poderia vir a favorecer Gianni Infantino.
