Categoria: Mundial’2030

  • Se Espanha não tiver a final do Mundial2030, deve deixar a candidatura

    Se Espanha não tiver a final do Mundial2030, deve deixar a candidatura

    O Mundial2030 voltou a estar no centro da discussão e Portugal está envolvido porque é um dos organizadores do torneio, juntamente com Espanha e Marrocos. Nos últimos dias, a polémica estalou devido a uma alegada promessa de Gianni Infantino de que a final seria disputada no país africano, em troca de apoio marroquino ao líder da FIFA.

    Tendo em conta que a final esperada do Mundial20230 seria em Madrid, no Santiago Bernabéu, as críticas em Espanha não tardaram em chegar. Luis Rubiales foi uma das personalidades que teve uma palavra a dizer sobre o tema, até porque foi um dos responsáveis pela ideia de candidatura conjunta com Portugal. 

    “A candidatura começou a tomar forma em 2018, no dia em que a Espanha e Portugal se defrontaram no Mundial da Rússia. Desde o início, Fernando Gomes (presidente da Federação portuguesa) e eu sabíamos que os 55 votos da UEFA eram insuficientes e que teríamos de incluir Marrocos”, começou por explicar, numa entrevista ao jornal Marca.

    “Mais tarde, Marrocos saiu da equação porque havia uma pré-candidatura europeia, do Reino Unido e da Irlanda. E a UEFA deu-nos a entender que, se houvesse uma candidatura 100% europeia e outra que não fosse 100%, não nos iriam apoiar”, prosseguiu. 

    De seguida, Rubiales lembra que o país africano regressou à convocatória ao fim de “dois ou três anos”, assim que Portugal e Espanha teriam quase certos os 55 votos da UEFA. Contudo, o ex-presidente da Federação Espanhola dá conta de que “Espanha iria acolher o jogo de abertura, a final, uma semifinal e um ou dois jogos dos quartos de final”.

    O momento em que tudo mudou, segundo Rubiales

    O polémico Rubiales recorda o momento em que tudo mudou, no seu ponto de vista, e aponta o dedo a Gianni Infantino e Pedro Sánchez, primeiro-ministro espanhol.

    “Tudo muda quando Infantino e Pedro Sánchez se reúnem para anunciar que Espanha vai anunciar o Mundial com Portugal e Marrocos. Anuncia uma candidatura completamente diferente, com a incorporação do Uruguai, Argentina e Paraguai, que sempre tínhamos recusado. A candidatura estava ganha e não precisávamos de uma inauguração a oito mil quilómetros, tinha de ser em Madrid. Pedro Sánchez com grande desconhecimento e vontade de protagonismo, que ter a medalha de anunciar a candidatura e deita por terra a inauguração em Espanha, um jogo que veem milhões de pessoas, o que é muito importante até financeiramente e a nível social e desportivo. Quando os governos são protagonistas, normalmente não corre bem. O projeto comum tinha a final no Santiago Bernabéu”, disse.

    Quando questionado sobre a possibilidade de a candidatura para o Mundial2030 estar em risco, até porque foi pedida a exclusão de Marrocos após a entrada de milhares de imigrantes em Ceuta, Rubiales deixou tudo em aberto. O ex-dirigente espanhol afirmou que não pode dizer se “está em perigo ou não”, mas volta a colocar as culpas em Pedro Sánchez. 

    Por isso, Rubiales apoia à desistência de Espanha da candidatura, caso Marrocos acolha a final.

    “Claro que não deveria continuar. Espanha é a força motriz deste projeto, até porque tem as melhores competições e a seleção acabou de conquistar o Mundial2026. Com todo o respeito a Portugal que adoramos e a Marrocos. Espanha não vai mais sediar a partida de abertura por culpa de Pedro Sánchez e Infantino. Se não conseguir a final, não pode continuar na candidatura a 2030 nem por mais um minuto”, concluiu.