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  • Ex-jogador do Chaves despedido por “diminuição voluntária do rendimento”

    Ex-jogador do Chaves despedido por “diminuição voluntária do rendimento”

    Há uma história caricata em Espanha que está a dar que falar. Nikola Maras, defesa central sérvio que em Portugal vestiu as cores do Desportivo de Chaves, foi, esta quinta-feira, despedido pelos espanhóis do Alavés, por uma “queda manifesta, voluntária e contínua do seu rendimento normal”.

    Num comunicado que foi emitido através das suas plataformas oficiais, o Alavés, que milita no escalão máximo do futebol em Espanha, detalhou o porquê de pôr fim à ligação contratual com o sérvio, que na época passada esteve cedido ao Mirandés.

    “O Deportivo Alavés informa que rescindiu o contrato que mantinha com Nikola Maras por despedimento, na sequência da conclusão do processo disciplinar contraditório instaurado devido a uma possível diminuição do seu rendimento”, começa por escrever o clube da La Liga.

    “O procedimento decorreu em conformidade com o previsto no Acordo Coletivo AFE-LA LIGA e baseia-se, entre outros elementos, num relatório incluído no processo que analisa de forma integral e contínua o desempenho do jogador durante toda a sua relação contratual com o clube, bem como a sua comparação com dados anteriores”, prossegue o Alavés, que detalha os dados que levaram a esta situação insólita.

    “Para a elaboração desse relatório, foram avaliados diferentes parâmetros objetivos da sua atividade desportiva, com base em plataformas de prestígio reconhecido e registos relativos à carga de trabalho e ao comportamento do jogador nos treinos, recolhidos através de sistemas igualmente reconhecidos no futebol profissional”, escreve ainda o Alavés.

    O emblema espanhol sublinha ainda que Maras teve a oportunidade de se explicar e apresentar as suas razões. Ainda assim, os argumentos do antigo jogador do Desportivo de Chaves não mudaram a decisão final do Alavés.

    “Durante a tramitação do processo, Nikola Maras teve a oportunidade de apresentar as alegações correspondentes, sem que estas tenham invalidado os factos e fundamentos que motivaram a decisão tomada pelo clube. Consequentemente, uma vez concluído o procedimento estabelecido, o Deportivo Alavés comunicou ao jogador a rescisão do seu contrato”, termina a nota.

    Com formação iniciada no Partizan, o defesa central sérvio, agora com 30 anos de idade, passou ainda pelos escalões de formação do Rad Beograd, clube ao qual foi contratado pelo Desportivo de Chaves no verão de 2017.

    Nikola Maras esteve ao serviço do emblema de Trás-os-Montes entre 2017 e 2019, tendo somado 62 jogos em Portugal antes de ingressar no Almería. Ainda ligado a este último, o sérvio esteve cedido Rayo Vallecano em 2021/22, antes de ser cedido ao Alavés na época seguinte.

    O rendimento com a camisola do Alavés foi de tal forma positivo que Nikola Maras foi contratado em definitivo no verão de 2023. Seguiram-se depois empréstimos a Levante (223/24), Sporting Gijón (2024/25) e ao já referido Mirandés na temporada transata.

  • Quem é Madjo, o prodígio de 17 anos que já é dado como sucessor de Kane?

    Quem é Madjo, o prodígio de 17 anos que já é dado como sucessor de Kane?

    Brian Madjo é o nome que está nas bocas do mundo desde a final da Supertaça Europeia desta quarta-feira, depois de fazer um golo a favor do Aston Villa e ter dado muitas dores de cabeça aos defesas do Paris Saint-Germain.

    Andros Townsend foi o primeiro a falar da surpreendente estreia oficial do imponente jogador de apenas de 17 anos, frente ao campeão europeu em título.

    “Sabes que mais? Quando estavam a entrar para a segunda parte, olhei para ele (Madjo) e pensei: ‘O que estará (Thomas) Tuchel a pensar esta noite, ao ver aquilo?’”, começou por dizer o antigo extremo inglês na rádio britânica da talkSPORT.

    No entanto, Jeff Stelling – comentador desportivo e presidente do Hartlepool United – espera que as pessoas tenham calma nas comparações que fazem do jovem de 17 anos… com Harry Kane.

    “Na minha opinião, ele teve uma noite fantástica. Teve imensas oportunidades e, para seu crédito, continuou a criá-las. É um jogador completo e também um verdadeiro incómodo”, apontou.

    “Não se pode colocar tanta pressão sobre ele agora, aos 17 anos, dizendo que é o futuro e que é o próximo Harry Kane. É extremamente injusto”, completou.

    Ainda assim, Gabriel Agbonlahor, que até jogou como avançado no Aston Villa, defendeu que não é altura de comparações deste calibre, mas sim de a FA inglesa puxar dos galões e convocar Brian Madjo para as camadas jovens de modo a convencê-lo a escolher a Inglaterra como a sua seleção.

    “Não acho que se possa começar a dizer agora que ele é o próximo avançado depois de Harry Kane. Mas sabes o que é preciso fazer agora: se eu fosse a FA, iria acelerar o seu processo de integração. Ele não vai escolher o Luxemburgo. Mas os Camarões – os pais dele são dos Camarões – estarão de olho nele neste momento, a dizer: ‘Queremos incluí-lo na seleção, colocá-lo a jogar um jogo de qualificação oficial para que ele não possa jogar pela Inglaterra’”, comentou.

    “Se eu fosse a direção da seleção inglesa agora… Eu iria acelerar o seu processo de integração na seleção sub-21. Não imediatamente, mas vamos ver como ele se sai nos próximos dois ou três meses”, acrescentou.

    Nas cartas poderá ainda estar um plano ainda mais além por parte da federação inglesa de futebol, com uma convocatória num encontro que não signifique nada para lhe oferecer a estreia nos escalões principais, para impedir que seja chamado por outras seleções.

    “Não me surpreenderia se ele fosse encaminhado rapidamente para a seleção sub-21 e se o Thomas Tuchel e a FA estivessem a analisar a situação e a perguntar-se: ‘Devemos incluí-lo na convocatória? Damos-lhe uma internacionalização num jogo de qualificação ou na Liga das Nações?’ Depois do Harry Kane, quantos avançados é que observamos e dizemos que são o próximo Harry Kane?”, completou o ex-ponta de lança.

    Mas afinal, quem é Brian Madjo?

    Brian Djomeni Madjo é o novo nome mais promissor do futebol europeu, depois de se mostrar ao mundo na Supertaça Europeia da UEFA, frente ao Paris Saint-Germain, com um golo e um físico imponente.

    Depois de fazer a sua formação no Metz, em França, o ponta de lança fez uma temporada impressionante em 2025/26, ao completar 19 golos em 27 partidas ao serviço dos sub-19, fazer ainda mais dois golos em dois jogos pela equipa B, estreando-se mesmo com a equipa principal do emblema que estava na Ligue 1… e tudo com apenas 16 anos de idade.

    O Aston Villa viu o potencial deste diamante bruto por lapidar e apostou com 12 milhões de euros no avançado que já mede 1,93 metros de altura e conta com um físico que faz lembrar um jovem Romelu Lukaku, que dava muitas dores de cabeça aos defesas da Premier League, nos seus tempos de Everton.

    Resta agora saber se consegue lidar com esta pressão no topo do futebol europeu, já que irá disputar o campeonato inglês e a Liga dos Campeões nesta temporada.

  • Seis federações árabes manifestam apoio a Infantino em crise na FIFA

    Seis federações árabes manifestam apoio a Infantino em crise na FIFA

    O apoio foi subscrito pelas federações de Qatar, Egito, Mauritânia, Líbano, Sudão e Marrocos, coanfitrião do Mundial de 2030 com Portugal e Espanha, sendo que quatro dos signatários integram o Conselho da FIFA.

    Na declaração, os responsáveis por esses organismos reafirmam a confiança na liderança de Infantino e no “compromisso contínuo com o desenvolvimento do futebol a nível mundial”, destacando os esforços do dirigente para “expandir oportunidades em todas as regiões” e manifestando expectativa na continuação da cooperação para reforçar o papel do futebol árabe a nível global.

    Ao apoiarem Infantino, as federações do Qatar e do Líbano demarcam-se da própria Confederação Asiática de Futebol (AFC) que, em conjunto com a UEFA e a CONCACAF – a confederação da América do Norte, América Central e Caraíba -, subscreveu uma carta aberta a denunciar uma “importante quebra de confiança”, acusando Infantino de abandonar o seu dever ao atuar com “engano” e colocar-se “acima do coletivo”.

    Em causa esteve o plano de criação da subsidiária FIFA Forward Enterprise (FFE), que previa a alienação de até 20% das receitas comerciais do Mundial a investidores privados, proposta que Infantino acabou por retirar após a forte contestação de responsáveis do futebol mundial.

    O apoio destas seis federações junta-se ao respaldo já declarado pelas confederações da América do Sul (CONMEBOL) e de África (CAF), bem como por países como Argentina, Bolívia, Equador ou Venezuela.

    Ainda assim, Gianni Infantino vê a sua posição fragilizada no caminho para as eleições agendadas para 18 de março de 2027, num sufrágio decidido por maioria simples entre as 210 federações-membro e cujo prazo para candidaturas termina a 18 de novembro.

    Já hoje, a Associação de Futebol da Irlanda (FAI) retirou o apoio à reeleição de Gianni Infantino na liderança da FIFA, juntando-se à vaga de oposição europeia provocada pela proposta de alienar a privados ações do Mundial.

    A FAI justificou a decisão com a necessidade de defender as melhores práticas, apontando “preocupações significativas sobre governança, transparência e falta de consultas significativas”.

    Com esta posição, a Irlanda passa a integrar o lote de federações europeias que revogaram formalmente a carta de apoio concedida no início do ano ao dirigente ítalo-suíço, do qual fazem também parte Inglaterra, Países Baixos, Finlândia, Noruega, Sérvia e Suécia.

  • Pedro Porro perplexo com receção monumental no Tottenham

    Pedro Porro perplexo com receção monumental no Tottenham

    Pedro Porro integrou, ao início da manhã desta quinta-feira, os trabalhos de pré-temporada do Tottenham, menos de um mês depois de ter dado por terminada a caminhada da principal seleção de Espanha rumo à conquista do Campeonato do Mundo.

    Jogadores, equipa técnica e funcionários dos spurs formaram uma ‘corrente humana’, com a qual receberam, de forma calorosa, o antigo lateral-direito do Sporting, como comprovam as (impressionantes) imagens.

  • Oficial: Supertaça de Espanha vai jogar-se… em Istambul

    Oficial: Supertaça de Espanha vai jogar-se… em Istambul

    O Estádio Olímpico Atatürk vai acolher, entre 02 e 07 de fevereiro, os três encontros da prova, que reúne os dois primeiros classificados da Liga espanhola 2025/26, FC Barcelona e Real Madrid, e os dois finalistas da Taça do Rei de Espanha, Real Sociedad e Atlético de Madrid.

    Nas meias-finais, os catalães, bicampeões espanhóis em título e vencedores das duas últimas edições da Supertaça, vão defrontar o Atlético de Madrid, enquanto a Real Sociedad, vencedora da Taça, terá pela frente o Real Madrid, treinado por José Mourinho e que conta com o internacional luso Bernardo Silva.

    As últimas sete edições da Supertaça de Espanha foram realizadas na Arábia Saudita, nomeadamente desde que a RFEF alterou o formato da competição para uma ‘final four’, à semelhança do que acontece em Itália.

    Contudo, como os sauditas vão organizar a Taça da Ásia entre janeiro e fevereiro de 2027, foi necessário recorrer a outro local para disputar o troféu espanhol, assinalou a RFEF.

  • Há mais um país a retirar o apoio à recandidatura de Infantino na FIFA

    Há mais um país a retirar o apoio à recandidatura de Infantino na FIFA

    A posição foi tomada após uma reunião do Conselho da FAI, tendo o organismo revogado a carta de apoio concedida no início do ano e explicado a fundamentação à FIFA em missiva dirigida ao organismo regulador do futebol mundial.

    A federação irlandesa justificou a decisão com a necessidade de defender as melhores práticas, manifestando “preocupações significativas sobre governança, transparência e falta de consultas significativas”.

    Com esta tomada de posição, a Irlanda passa a integrar o lote de federações europeias que revogaram formalmente o apoio ao dirigente ítalo-suíço, entre elas a Finlândia, Inglaterra, Países Baixos, País de Gales, Sérvia e Suécia.

    No centro da rutura no futebol internacional esteve o plano de criação da FIFA Forward Enterprise (FFE), uma subsidiária concebida para gerir os direitos comerciais de competições como o Campeonato do Mundo com o recurso a capital privado.

    O projeto previa a angariação de até 4,2 mil milhões de dólares (3,64 mil milhões de euros) através da alienação de uma quota minoritária de até 20% a investidores privados.

    Entre os potenciais interessados figurava o fundo Thrive Eternal, fundado por Joshua Kushner, irmão do genro de Donald Trump, Jared Kushner.

    A iniciativa gerou forte contestação institucional e culminou numa carta aberta subscrita pelas confederações da Europa (UEFA), Ásia (AFC) e América do Norte, Central e Caraíbas (CONCACAF).

    As três entidades denunciaram uma “importante quebra de confiança” e acusaram o presidente da FIFA de ter abandonado o seu dever ao atuar com “engano” e colocar-se “acima do coletivo que lhe confiou autoridade”.

    Em contraste com a contestação das três confederações continentais, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, saiu em defesa pública do líder do organismo, considerando na rede Truth Social que a FIFA cometeria “um erro terrível” se substituísse Infantino, enaltecendo a rentabilidade do Mundial2026, que gerou receitas de quase 15 mil milhões de dólares (13 mil milhões de euros).

    Apesar de manter o apoio declarado de confederações como a CONMEBOL e a CAF, e de países como a Bolívia, Equador, Venezuela, Argentina e Marrocos, Gianni Infantino vê a sua posição fragilizada no caminho para as eleições agendadas para 18 de março de 2027.

    O sufrágio será decidido por maioria simples entre as 210 federações-membro com direito a voto, terminando a 18 de novembro o prazo para a apresentação de candidaturas ao cargo.

  • Oficial: Jéremy Doku renova com o Manchester City

    Oficial: Jéremy Doku renova com o Manchester City

    O extremo, de 24 anos, foi contratado aos franceses do Rennes em 2023, por cerca de 60 milhões de euros, tendo na altura assinado um vínculo até 2028 com os ‘citizens’, nos quais alinham os portugueses Rúben Dias e Matheus Nunes.

    Doku prepara-se para iniciar a quarta época no City, pelo qual soma 131 jogos e 22 golos, tendo contribuído para a conquista do título de campeão inglês de 2023/24, que consumou o primeiro tetracampeonato de um clube em Inglaterra.

    Com carreira sénior iniciada no Anderlecht, o ‘ziguezagueante’ belga esteve recentemente no Mundial2026, em que os ‘diabos vermelhos’ atingiram os quartos de final.

  • Rodri, Reijnders e… Enzo. O milionário ‘trio amoroso’ do Manchester City

    Rodri, Reijnders e… Enzo. O milionário ‘trio amoroso’ do Manchester City

    A saída de figuras proeminentes da última década, como Pep Guardiola (que permanece livre) ou Bernardo Silva (que terminou contrato e partiu rumo ao Real Madrid), foi apenas o início de uma autêntica ‘revolução’ que começa a ganhar forma no Manchester City, agora, com particular preponderância no meio-campo.

    Os vice-campeões ingleses em título já ‘abriram os cordões à bolsa’ para adquirir Elliot Anderson ao Nottingham Forest, por mais de 130 milhões de euros, mas não pretendem ficar por aqui. Agora, de acordo com informações adiantadas pelo jornal britânico The Guardian, o alvo que se segue dá pelo nome de Enzo Fernández.

    Os citizens acompanham o internacional argentino há longos anos, e, ainda que o tenham deixado escapar para o Chelsea (que, em janeiro de 2023, pagou ao Benfica 121 milhões de euros pelo seu passe), mantiveram-no sempre debaixo de olho, e acreditam que, agora, é a altura certa para o ‘resgatarem’.

    O jogador de 25 anos de idade passou por uma temporada desportiva de 2025/26 particularmente ‘turbulenta’, com vários problemas de ordem física e disciplinar que levaram a que lhe fosse mesmo retirada a braçadeira de capitão. Ainda assim, o novo treinador, o espanhol Xabi Alonso, não admite perdê-lo.

    De tal maneira que os blues já terão mesmo feito saber aos eternos rivais que têm apenas até às 17h00 (hora de Portugal Continental) da próxima sexta-feira para lhes fazerem chegar à mão uma proposta concreta no valor de 120 milhões de libras (140,4 milhões de euros) para o levarem. Daí em diante, as portas ficarão definitivamente fechadas.

    Rodri motiva ‘braço de ferro’ com o Barcelona

    Em simultâneo ao ‘dossiê Enzo Fernández’, o Manchester City continua a negociar a venda de Rodri Hernández ao Barcelona… que tarda a chegar a bom porto, de tal maneira que, nas últimas horas, terá mesmo sido rejeitada a mais recente oferta que os campeões espanhóis em título fizeram chegar ao Etihad Stadium.

    A primeira investida, no valor de 45 milhões de euros, foi recebida com um rotundo ‘não’, e a segunda, próxima dos 60 milhões de euros, mereceu a mesma resposta, visto que os citizens só admitem abrir mão do jogador de 30 anos de idade por entre 60 a 65 milhões de libras (70,2 a 76 mihões de euros).

    O próprio médio-defensivo veria com bons olhos a possibilidade de seguir viagem a Camp Nou, mas a direção do clube sublinha que só irá reduzir a fasquia se este formalizar a intenção, algo que, até ao momento, ainda não aconteceu, pelo que o processo pode mesmo continuar a ‘arrastar-se’.

    Reijnders a caminho da Arábia Saudita

    Bem mais simples parece ser a situação de Tijjani Reijnders, que está de ‘malas aviadas’ para deixar o Manchester City, apenas um ano depois de ter sido recrutado ao AC Milan, por perto de 55 milhões de euros, e assinado um contrato que se mantém válido até ao dia 30 de junho de 2030.

    A equipa na qual alinham os portugueses Rúben Dias e Matheus Nunes estará em negociações adiantadas com o Al-Qadisiyah tendo em vista a transferência do internacional neerlandês de 28 anos de idade, que poderá ficar fechada por 60 milhões de euros, já com a inclusão de bónus dependentes do cumprimento de objetivos.

  • O agente e o jovem jogador: Incentivo e dever

    O agente e o jovem jogador: Incentivo e dever

    A 9 e 16 de julho, o Tribunal de Justiça da União Europeia pronunciou-se, nos processos ROGON e RRC Sports, sobre as regras aplicáveis aos agentes de futebol. A discussão jurídica envolve concorrência, livre prestação de serviços, proteção de dados e autonomia regulatória das federações. Por detrás dela, porém, está uma questão de governação simples e incómoda: quem protege o melhor interesse do jogador quando quem o aconselha beneficia financeiramente da decisão que recomenda?

    O agente desempenha uma função indispensável. Negoceia num mercado internacional e assimétrico, conhece clubes, dirigentes, contratos e oportunidades que o jogador e a sua família dificilmente dominam. O problema não é a existência de agentes. É estrutural: resulta da forma como o sistema distribui informação, poder e incentivos.

    Na teoria económica, este é um problema clássico de agência. O representado delega num profissional mais informado, mas não consegue observar plenamente a qualidade do conselho nem distinguir o que serve a sua carreira do que remunera o intermediário. Quando a transferência gera comissão e a permanência não produz valor equivalente, a mobilidade deixa de ser apenas uma opção desportiva para passar a sustentar o modelo de negócio de quem aconselha.

    Deste modelo resultam três riscos. Primeiro, o incentivo à transação, mesmo quando a continuidade favorece o desenvolvimento do jogador. Segundo, o enviesamento para o valor económico imediato, que nem sempre coincide com o melhor percurso desportivo. Terceiro, a representação dupla. O consentimento torna o conflito visível, mas não o elimina. Quem negoceia a remuneração do jogador presta simultaneamente serviços a quem tem interesse em contê-la.

    Nos menores, a assimetria torna-se extrema. De um lado está um profissional experiente, do outro, um adolescente e uma família perante uma decisão tomada sob pressão, com informação incompleta e o receio de perder uma oportunidade que poderá não voltar.

    Foi para responder a estas falhas que o Regulamento de Agentes de Futebol da FIFA reintroduziu o licenciamento, limitou a representação múltipla, estabeleceu regras específicas para menores e previu limites às comissões. Os acórdãos de julho afastaram uma apreciação global das regras e remeteram para os tribunais nacionais a análise da sua justificação e proporcionalidade. Reconheceram que a proteção de participantes inexperientes e a prevenção de conflitos de interesses podem justificar restrições, desde que adequadas, necessárias e proporcionais. A exigência é particularmente relevante porque a FIFA define as regras, fiscaliza o seu cumprimento e aplica sanções.

    A questão decisiva não é, por isso, saber se deve haver regulação. É perceber se a regulação atua sobre o mecanismo económico do conflito ou se se limita a acrescentar procedimentos. Transparência e consentimento são necessários, mas insuficientes. O conflito de interesses não desaparece apenas porque passa a ser conhecido.

    Portugal deveria olhar para este tema como uma prioridade de governação. Segundo a UEFA, as receitas dos clubes europeus provenientes de transferências cresceram 211% na última década. Quanto maior for a dependência económica da transação, maior deve ser a qualidade das estruturas que protegem a decisão.

    Quatro medidas elevariam esse padrão: transparência integral dos mandatos relativos a menores, aconselhamento jurídico e desportivo independente na primeira assinatura profissional e nas transferências internacionais, fundamentação escrita das decisões desportivas envolvendo jovens e limitação efetiva da representação dupla, condicionada à demonstração de que o jogador recebeu aconselhamento autónomo.

    Nada disto exige demonizar quem representa jogadores. Pelo contrário, as profissões reforçam a sua legitimidade quando deixam de competir com modelos que premiam o conflito e a opacidade. Um bom sistema não parte do pressuposto de que todos agirão mal. Reconhece apenas que pessoas íntegras também respondem aos incentivos que as rodeiam.

    O melhor interesse do jovem jogador pertence-lhe. Num mercado profundamente assimétrico, não basta afirmá-lo. É preciso criar modelos de governação que tornem racional protegê-lo.

  • África apoia Infantino na FIFA e causa polémica: “Só queremos o dinheiro”

    África apoia Infantino na FIFA e causa polémica: “Só queremos o dinheiro”

    Isha Johansen, antiga membra do Conselho da FIFA, concedeu, esta quinta-feira, uma extensa entrevista à estação televisiva norte-americana ESPN, na qual defendeu que Gianni Infantino deve apresentar a demissão da presidência do organismo que rege o futebol internacional, visto que “passou dos limites e houve uma quebra de confiança”.

    A empreendedora liderou a Federação de Futebol da Serra Leoa (SLFA), entre 2013 e 2021, e revela, agora, que, na altura, só não avançou com uma recandidatura ao cargo por conselho do próprio advogado ítalo-suíço, por motivos que, acredita, o devem fazer pensar na situação que vive: “Eu era uma presidente que lutava contra a corrupção e tentava instituir um código de ética e governação”.

    “O Gianni visitou a Serra Leoa por volta do mesmo período, com Patrice Motsepe [presidente da CAF, a Confederação Africana de Futebol], e, vendo o quão terrível a situação era, ele próprio virou-se para mim e disse ‘Deixa esta gente’. Eu percebi o ponto de vista dele, e decidi recuar, pelo bem do futebol no meu país. Foi isso que eu fiz, e recuei, em 2021, pelo bem de todos”, começou por afirmar.

    “É uma grande história que eu conto em detalhe, no meu livro recentemente publicado, ‘The Uncommon Enemy’ [‘O Inimigo Incomum’, em português], que cobre a minha luta incansável pela ética, pela integridade e pela boa governação no futebol, assim como a perseguição de que eu própria sofri, nesse processo. Eu recuei pelo bem do futebol, contra os conselhos dos meus apoiantes e ‘stakeholders’”, prosseguiu.

    “Com base nessa reflexão, eu pergunto, agora, se ele não deveria recuar, para bem do futebol. Ele ficou do meu lado porque eu estava a fazer cumprir o código de ética e boa governação da FIFA, que é aquilo que, supostamente, a FIFA apoia. É irónico, perturbador e, na verdade, triste que, hoje, ele devesse manter-se fiel àquilo que defendeu, e esteja a ser derrubado por uma quebra dessa mesma ética de integridade”, rematou.

    “Nós queremos o dinheiro, porque isso é a única coisa que queremos”

    Nesta mesma entrevista, Isha Johansen questionou os motivos pelos quais o presidente da CAF, Patrice Motsepe, continua a apoiar Gianni Infantino com vista às eleições para a presidência da FIFA, que estão agendadas para 18 de março de 2027 (com o prazo para a entrega de novas candidaturas a terminar já no próximo dia 18 de novembro).

    “Eu fiquei desapontada pelo facto de o Patrice ter dito ‘Oh, mantemo-nos leais’ e que, no no país, no nosso continente, não apunhalamos alguém pelas costas. Isso foi um comunicado muito prematuro de se fazer, neste contexto. Isso não dá uma boa imagem de África. A economia social e as dinâmicas, em África, são muito diferentes das que há na Europa”, refletiu.

    “Digamos que, na Premier League, se pagam 40 milhões de euros por um jogador. A Serra Leoa nunca viu esse tipo de orçamento, esse tipo de dinheiro. Por isso, como é que aquele presidente em particular vai voltar ao país, encarar o chefe de Estado e dizer que recusou 40 milhões de euros? Ele vai ter de explicar como geriu, como chegou a essa conclusão e como fez as contas para perder essa quantia”, acrescentou.

    “Eu odeio que haja uma perceção silenciosa de que, é claro, África vai dizer que se mantém do lado dele [de Gianni Infantino]. Nós queremos o dinheiro, porque isso é a única coisa que queremos. Ninguém quer falar sobre o aspeto ético de como é que recebemos esse dinheiro, de como é que esse dinheiro nos foi dado. Ninguém quer perguntar o quão ético isso é”, concluiu.