Lionel Messi recorreu, ao início da tarde desta quarta-feira, às redes sociais para quebrar o silêncio na sequência da morte do pai, Jorge Messi, aos 68 anos de idade, vítima de doença prolongada. O internacional argentino partilhou uma carta dirigida ao progenitor, na qual faz revelações a propósito de como tudo se desencadeou.
“Pai, ainda não consigo acreditar que te foste. Não caio em mim, ou melhor, não quero cair. É-me muito difícil imaginar que já não te vou ver mais, que já não vamos poder falar mais. Sei que estavas a sofrer e que foi o melhor, mas foste-te muito cedo. Ainda nos restava muito para desfrutar juntos. Tanto me pedias que jogasse o último Mundial, e, dias antes de começar, foi quando pior ficaste”, começou por escrever.
“Era a primeira vez que não ias estar num torneio, mas a mamã dizia-me que ias ficar melhor e que ias ficar bem para poder viajar. Eu dizia-te que íamos chegar à final, e, assim, poderias viajar. Cada vez que terminava um jogo, esperava e sentia falta da tua mensagem. Aí, dei-me conta de que a situação era verdadeiramente feia. Ainda assim, não deixava de pensar em chegar o mais longe possível, para dar-te tempo para que viesses ver um jogo”, prosseguiu.
“Chegámos à final e não pudeste lá estar. Queria ganhá-la para te levar lá e mostrar-te mais uma. Não pude, as penas não deram para mais. Desta vez, tentei ir contra o meu físico, mas não consegui. Nunca consegui sentir-me bem. Quando cheguei, pensavas que tínhamos perdido a final nos penáltis. Não conseguimos falar de nada do que se passou. Não pudeste desfrutar de nada”, completou.
“Tenho bastantes dúvidas de que continuarei a jogar por muito mais tempo”
Ainda assim, o internacional argentino deixou uma nota positiva: “Não fomos campeões, mas não sabes como desfrutámos de cada jogo. Mais uma vez, tinhas razão. Eu tinha de estar lá e jogar. Conto-te isto porque foi a única coisa de que não pudemos falar, porque tudo o resto já sabes. Falávamos todos os dias, e víamo-nos quanto era possível, devido aos meus compromissos”.
“Não sei o que vou fazer sem ti, não sei como continuar. Só jogava futebol, e, agora, tenho bastantes dúvidas de que vá a continuar a fazê-lo por muito mais tempo. Estiveste ao meu lado desde o princípio, faltava tão pouco para o final. Por que é que não aguentaste esse pouquito para que terminássemos juntos?”, lamentou.
“Sei que a tua felicidade era ver bem a tua família, a tua mulher, os teus filhos e, sobretudo, sem que outros soubessem, ver-me a jogar. Desde pequeno que sempre foi assim. Levavas-me a todos os treinos assim que chegavas do trabalho. A muitos deles levava-me a mamã, porque estavas a trabalhar. Obviamente, aos jogos, não faltavas a um. Como sofrias a ver-me e como desfrutavas, ainda que nunca me desses muitos elogios”, acrescentou.
“Foste papá, amigo e representante. Eras sempre a pessoa que tinhas de ser, em cada momento, e nunca te enganaste em nada. À margem de alguns reparos ou discussões, tinhas sempre razão. No final, acabava por acontecer como dizias. Vou sentir muito a tua falta, mas vais estar sempre presente, sobretudo, na educação dos meus filhos, porque ensino-os e educo-os como fizeste comigo. Descansa em paz e cuida de nós desde aí de cima, como o fazias aqui. Obrigado por tudo. Amo-te, pai”, concluiu.
Cristiano Ronaldo responde
De entre os milhares de comentários deixados nesta publicação, o destaque foi para o de Cristiano Ronaldo, português com o qual Lionel Messi mantém uma das mais ‘ardentes’ rivalidades’ do futebol mundial: “Um abraço enorme para ti e para os teus, nestes duros momentos, Leo. Muita força”.

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