Infantino usa ex-Sporting para criar “guerra” pela presidência da FIFA

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Imune à autêntica ‘enxurrada’ de críticas de que vai sendo alvo, por conta da catadupa de polémicas que o têm vindo a rodear desde o passado Campeonato do Mundo, Gianni Infantino continua firme na intenção de manter-se na presidência da FIFA, cargo que ocupa desde fevereiro de 2016, quando sucedeu a Sepp Blatter, que ‘caiu’ devido a um escândalo de corrupção.

As eleições, recorde-se, estão agendadas para 18 de março de 2027, mas o prazo para a apresentação de candidaturas termina já no próximo dia 18 de novembro. Até ao momento, ninguém se chegou à frente para fazer face ao ítalo-suíço… e o próprio pretende garantir que assim continua, como demonstra uma alegada manobra denunciada, esta quinta-feira, pelo jornal britânico The Guardian.

O advogado nomeou Gelson Fernandes, antigo jogador do Sporting, como diretor das federações-membro das Caraíbas, naquela que é apontada como uma tentativa de que esta região se demarque da CONCACAF, confederação da qual faz parte e que já tornou pública uma posição conjunta contra uma eventual reeleição, deixando mesmo ‘no ar’ a hipótse de vir a boicotar o Campeonato do Mundo de 2030.

O ex-internacional suíço, que já tinha sido nomeado diretor das federações-membro de África, em 2022 (e, dois anos mais tarde, promovido a vice-presidente do gabinete global para a gestão de todas as federações-membro) é apresentado como um dos mais “leais” apoiantes de Gianni Infantino, assim como o ‘braço direito’ de Elkhan Mammadov, o seu “executor-chave”.

“A FIFA pode confirmar que Gelson Fernandes assumiu a responsabilidade pela região das Caraíbas, além do seu atual papel enquanto diretor regional de África”, esclareceu a própria FIFA, através de um comunicado enviado à publicação.

“Com uma extensa experiência na FIFA e um forte conhecimento dos programas de desenvolvimento do futebol, Gelson vai liderar a equipa regional e trabalhar em proximidade com as federações-membro das Caraíbas para apoiar ainda mais o desenvolvimento do futebol nos respetivos países, seguindo a visão do presidente da FIFA: tornar o futebol verdadeiramente global”, completa.

Infantino declara “guerra administrativa” ao principal oponente

No entanto, a estratégia delineada por Gianni Infantino não se fica por aqui, uma vez que, acrescenta a publicação, que cita “fontes de várias federações-membro da Europa e da América do Norte”, trata-se também de uma tentativa de criar uma “guerra administrativa” ao presidente da CONCACAF, Victor Montagliani, que continua a ser apontado como potencial adversário nas eleições da presidência da FIFA.

O canadiano perdeu, recentemente, um importante ‘aliado’ nesta batalha contra o ítalo-suíço, visto que a Federação de Futebol do México (FMF) quebrou a união do organismo ao anunciar que, apesar das inúmeras controvérsias, continua a pretender votar na sua recondução no cargo, nas próximas eleições.

Gelson Fernandes pode, assim, tornar-se numa peça fundamental no meio de tudo isto. Natural de Praia, em Cabo Verde, o ex-médio mudou-se para a Suíça em ‘tenra’ idade, onde viria a dar os primeiros passos no mundo do futebol, ao serviço do Sion, onde deu tamanhas mostras de potencial que, em 2007, foi vendido ao ‘todo-o-poderoso’ Manchester City, por cerca de 5,5 milhões de euros.

Dois anos depois, mudou-se para o Saint-Étienne, por 3,5 milhões de euros, mas não conseguiu afirmar-se, pelo que somou empréstimos consecutivos a Chievo Verona, Leicester City e Udinese, antes de, em 2012, terminar contrato e rumar ao Sporting… onde também não foi feliz, realizando apenas 12 jogos antes de ser emprestado ao Sion e, consecutivamente, vendido ao Friburgo, por meio milhão de euros.

Seguiram-se passagens por Friburgo, Rennes e Eintracht Frankfurt, até que, em 2020, com 34 anos de idade, optou por colocar um ponto final na carreira de futebolista, para se dedicar ao desporto-rei, mas em funções distintas.

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