Álvaro González foi colega de Cristiano Ronaldo no Al Nassr e não esquece o gesto do craque português na chegada à Arábia Saudita, em janeiro de 2023, exigindo que o clube pagasse os salários que estavam em atraso do plantel. A revelação foi feita, recentemente, no podcast Le Futbolin, com o defesa espanhol a confessar que estava a atravessar uma situação de seis ordenados em atraso.
“Tendo estado muitas vezes com ele no jacuzzi a falar – e tínhamos uma relação de confiança, porque eu não procurava nada do outro mundo -, posso dizer que dentro do balneário este tipo é o melhor. Digo-o sinceramente e posso partilhar uma história”, começou por contar Álvaro González.
“Estive na Arábia Saudita sem receber durante os primeiros seis meses, jogando num dos melhores clubes do país. Há o Al Hilal, o Al Nassr e ainda o Al Ittihad. Podiam caber 70 mil pessoas num jogo entre o Al Ittihad e o Al Nassr”, adiantou, antes de revelar a ação de CR7.
“Estava há seis meses sem receber, mas não estava preocupado, porque já jogava futebol há 14 anos e, bem, tinha algum dinheiro de parte. Mas também fui para a Arábia Saudita para ganhar dinheiro. E ele [Cristiano Ronaldo] chega em janeiro e fica a par da situação. O governo ia pagar-lhe e ele disse que, com o primeiro salário, que não era propriamente pequeno, a primeira coisa que tinham de fazer era pagar aos jogadores”, explicou, deixando ainda mais detalhes sobre a preocupação de Cristiano Ronaldo em dar melhores condições de trabalho aos colegas de equipa.
“Havia vários jogadores que não tinham recebido, não eram todos, e ele disse: ‘Enquanto estas pessoas não forem pagas…’. Claro que ele tem uma enorme quantidade de dinheiro, mas não tinha de o fazer. Era o dinheiro dele. Fê-lo por ser o Cristiano. E depois percebes que, no dia a dia, ele acrescenta em tudo: ‘Precisas de um fisioterapeuta? E tu, do que precisas? De conforto?’. Ele torna tudo muito mais fácil”, explicou.
O dia em que o Al Nassr foi escoltado pelo exército
O impacto da chegada de Cristiano Ronaldo ao Al Nassr não se limitou à Arábia Saudita, com os restantes países do Médio Oriente também a recolherem frutos da presença de CR7. O agora retirado defesa espanhol não se esquece do dia em que o plantel teve de ser escoltado na viagem ao Irão por causa…. do avançado português.
“O Cristiano é uma pessoa superespecial. Porquê? Só imagino que Messi poderia viver naquela pele. Vivi com ele num ambiente aparentemente mais tranquilo do que o futebol europeu, mas de tranquilo não havia nada. Fomos jogar ao Irão e tivemos de levar o exército. Depois, lembro-me que ele não jogou, porque era perigoso. Se havia um milhão de pessoas fora do aeroporto. Há umas imagens, que eu depois posso enviar, do primeiro jogo do Cristiano na Liga dos Campeões [asiática] e o autocarro não conseguia movimentar-se numa rua do Irão. Quilómetros e quilómetros de motos, pessoas a correr”, confidenciou Álvaro González.