A UEFA está determinada em tirar Gianni Infantino da presidência da FIFA, avançando para um boicote às competições caso o atual presidente seja reeleito em março de 2027. No entanto, Infantino não está sozinho, apesar de ter perdido vários apoios na sequência do FIFA Forward Enterprise, plano que previa a entrada de investidores privados nos Mundiais.
Nas últimas horas, o presidente do organismo que rege o futebol mundial recebeu uma manifestação pública de apoio por parte da Associação de Futebol Argentino, contando com mais um voto para as próximas eleições.
Mas a Argentina não foi a única a colocar-se ao lado de Infantino. Também a Confederação Africana de Futebol saiu em defesa do líder ítalo-suíço.
Assim sendo, Infantino vai ganhando algum fôlego apesar de ter perdido o apoio da UEFA. O presidente em funções desde 2016 precisa da maioria dos votos da 211 federações para continuar no cargo, numa altura em que continua a ser o único candidato assumido.
AFA ao lado de Infantino
Na noite de quinta-feira, a AFA declarou, em comunicado, o apoio público a Infantino, apontando para a “gestão desenvolvida ao longo dos últimos 10 anos, cujos principais pilares têm sido o desenvolvimento do futebol em todo o mundo e a solidez institucional assente num modelo de governação claro, estável e transparente”.
A federação presidida por Claudio Tapia destaca, ainda, o passo atrás dado pela FIFA, deixando cair o FFE, o que leva a Argentina a reafirmar a “firme convicção de que o caminho passa por continuar a trabalhar” sob a liderança de Infantino.
CAF também aplaude Infantino
A CAF protagonizou uma tomada de posição também na quinta-feira, valorizando que a FIFA tenha reconhecido “os erros cometidos” na criação do FFE.
Ao mesmo tempo, a Confederação Africana de Futebol reafirmou que apoiará, “por unanimidade”, o atual presidente da FIFA, “agradecendo-lhe o apoio contínuo prestado ao futebol africano ao longo dos anos”.
UEFA lidera movimento contra Infantino
Apesar da FIFA ter abandonado o FFE, a UEFA mantém-se irredutível: Infantino tem de sair do poder em março. Num comunicado enviado ontem à AFP, o organismo liderado por Aleksander Ceferin lembrou que “as federações membros da UEFA foram muito claras quanto às condições relacionadas à sua não participação em competições da FIFA”, confirmando a intenção de avançar com o boicote já anunciado.
A UEFA quer ter “garantias de que tais tentativas de desfigurar o futebol dessa maneira jamais se repitam”, algo que o recente comunicado da FIFA não correspondeu, o que resulta na “perda de confiança na presidência de Gianni Infantino”.
Algumas federações já tomaram uma posição pública, tais como Finlândia, Sérvia, Suécia, País de Gales ou Dinamarca, mas há ainda alguns países em silêncio.
A Federação Portuguesa de Futebol quebrou, ontem, o silêncio e mostrou-se alinhada com a UEFA, com Pedro Proença a garantir que “rejeitou na primeira hora” a proposta da FIFA.
“O modelo proposto pela FIFA, ao colocar nas mãos de interesses privados decisões determinantes sobre o calendário internacional, os formatos competitivos e o desenvolvimento futuro do desporto, configuraria uma alteração profunda e inaceitável da natureza do futebol. Tal modelo não pode ser acolhido por quem tem o dever de proteger o jogo e de preservar o seu legado para as gerações futuras. Nunca abdicaremos destes valores, que são para nós inalienáveis, é a garantia que lhe deixo“, escreveu Pedro Proença, numa missiva enviada aos sócios da FPF.
CONMEBOL alinha-se com a UEFA
A UEFA deverá contar com o apoio da Confederação Sul-Americana de Futebol, que ontem expressou a sua preocupação “com as sucessivas decisões unilaterais adotadas sem recurso ao diálogo nem aos mecanismos institucionais previstos para o tratamento deste tipo de situações”.
A CONMEBOL não afirmou taxativamente que não vai votar em Infantino nas eleições de março, mas frisa “não apoiará qualquer atuação ou procedimento que ignore ou se afaste desses mecanismos institucionais”.
Concacaf pode ter candidato
Também a Confederação das Associações de Futebol da América do Norte, Central e Caraíbas está contra Infantino, apontando o dedo à forma como a FIFA quis implementar o FFE.
A Concacaf acredita que a FIFA agiu “fora de qualquer estrutura e sem transparência, consulta ou devido processo legal”.
De resto, a imprensa internacional já aponta Victor Montagliani, presidente da Concacaf, como potencial rival de Infantino nas eleições de março.
AFC ainda em análise
Por fim, a Confederação Asiática de Futebol, que possui 46 federações, ainda não se posicionou de forma clara quanto à continuidade de Infantino na FIFA, admitindo, na passada sexta-feira, que o FFE “evidenciou fragilidades fundamentais dos processos de consulta e tomada de decisão da FIFA”.
No entanto, Qatar ou Mongólia já confirmaram que vão apoiar Infantino, elogiando o “mérito” da proposta entretanto retirada.
Em sentido inverso, a Jordânia, por intermédio do presidente Ali bin Al Hussein, que fora derrotado por Infantino em 2016, acusou o atual líder da FIFA de “chantagem”.
Eleições agendadas para março
As eleições da FIFA estão marcadas para março de 2027, sendo que as candidaturas podem ser apresentadas até 18 de novembro. Até ao momento, Gianni Infantino continua a ser o único candidato oficialmente assumido.

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